O que é a experiência? Há muitas definições. Há muitos generalismos. É conhecimento. É experimentação. É execução. Os profissionais experientes aportam uma riqueza de conhecimento, experimentações, informações, contactos e execução de projetos, criando valor para as empresas e, consequentemente para a economia do País.

 O tema da experiência é inerente a tudo!

Na atualidade, enquadrar um profissional sénior no mercado de trabalho revela-se, por vezes, um enorme desafio. Em 2019, ainda assistimos a inúmeras organizações a concentrar os esforços de recrutamento na geração millennials. O foco exclusivo numa faixa etária pode ser um erro e um problema a prazo. De facto, vincular o recrutamento num grupo sem a experiência necessária por inerência dos anos de vida pode revelar-se custoso. Porquê? Está demonstrado que equipas multidisciplinares que integram profissionais experientes, costumam trazer mais riqueza a uma organização. O que oferece o talento sénior?

Conhecimento

Os gestores nas faixas etárias do 40, 50 e 60 anos possuem uma expertise funcional, área e/ou indústria. Com os seus longos CV’s, trabalharam para uma variedade de indústrias, distintas empresas, equipas de diferentes dimensões, adquirindo qualificações valiosas ao longo do caminho. O talento experiente tem no armário diferentes chapéus – dos comuns, aos irreverentes. A trajetória de carreira foi efetuada por todos os níveis da organização. E, foram alvo, por certo, de transformações no percurso profissional. Podem ter iniciado o seu percurso no atendimento ao cliente, passado pelo marketing e desenvolvido a área de business improvements numa componente mais financeira, por exemplo.

Experimentação

Já não há muito que estes gestores não tenham visto ou experimentado. São a voz da sapiência e razão. Têm um catálogo de realizações e sucessos. Mas, também têm uma lista de erros e viram outros cometer erros. Já presenciaram tudo ou quase tudo. Por este motivo, estes profissionais removem alguma incerteza da gestão porque protagonizam a compilação das lições aprendidas. A experimentação destes gestores possibilita às empresas o acesso a esta sabedoria de uma forma profilática. Não é por acaso que: ‘Good judgement comes from experience; and Experience comes from bad judgement’.

Execução

São profissionais com décadas de trabalho prático. São gestores integrados em processos de implementação. Já os executaram muitas e muitas vezes. Têm experiência comprovada em fazer acontecer desafios iguais ou semelhantes. São conhecedores do modo de operar e interagir com as diferentes áreas da empresa, seja o marketing, as operações ou as vendas… São os pilares da paciência e do consenso. O conhecimento e a intuição permite-lhes afinar os diferentes ângulos, incorporar as melhores práticas e chegar a um resultado mais rico, mesmo que, no trilho da realização, a ideia inicial seja modificada ou a primeira solução identificada seja alterada de forma radical.

As empresas economizam Euros

Hoje, uma grande maioria de profissionais experientes são freelancers. Os Interim Managers estão na moda. São os gestores que encontramos em quase todas as indústrias e funções executivas.

Os colaboradores permanentes são os alicerces do negócio. Os Interim Managers não são uma solução permanente, embora alguns possam assumir uma posição definitiva no final do mandato. Os Interim Managers são contratados para fornecer soluções de gestão flexíveis e económicas com rapidez, enquanto disponibilizam um alto nível de conhecimento. E, simultaneamente, possibilitam as empresas economizar Euros. Como?

Os benefícios são vários… A rapidez na colocação de um profissional experiente em posições-chave. O facto de serem um tiro certeiro pois não começam do zero e possuem a expertise em projetos semelhantes. Não necessitam de muita formação, uma vez que já têm o conhecimento. Não são um recurso tão caro como se imagina. As empresas não têm de investir num talento a tempo integral, com os custos legais e outros associados. As despesas operacionais com o Interim Manager ocorrem, apenas e durante, o período do mandato, e depois as empresas podem reduzir esse OPEX.

Os Interim Managers querem uma ‘casa’ desafiante. Um lugar para aportar e acrescentar valor. O Interim Manager sabe que existe um ROI (return on investment) anexado a ele e ao projecto que foi contratado para executar.

E, as empresas sabem que o Interim Management é uma solução com resultados de negócio com rápido retorno, já que preenchem com eficiência a lacuna de competências e, ao mesmo tempo, maximizam o rácio benefício/custo.

E a economia do País beneficia?

De acordo com a Foreigner Affairs Magazine (Novembro 2019), na Europa 1/4 da população já tem mais de 60 anos; até 2050, essa proporção chegará a mais de 1/3. Em 2080, a União Europeia terá 53.3 milhões de aposentados a mais do que hoje. As populações envelhecidas serão o ponto de rutura dos sistemas de assistência social. Espanha, por exemplo, terá de aumentar os gastos com saúde, assistência a idosos e pensões em 10% do PIB até 2050.

Os Governos têm um papel importante a desempenhar no conjunto mais profundo de trabalhadores qualificados – dos 40 aos +65 anos. Um País que não conta com a experiência de profissionais séniores é um País que não conta com um activo crucial. E, se as empresas aumentam a sua rentabilidade devido à incorporação de gestores experientes, o País também beneficia e de diferentes formas.

Hoje, a idade do cartão de cidadão das pessoas distancia-se da realidade efetiva em cerca de 10 anos. Isto é, quem hoje tem 50 considera-se física, mental e intelectualmente como tendo 40 anos de idade. Existe um prolongamento da vida ativa.

Nesta ordem de ideias, é urgente existirem incentivos para os trabalhadores com mais idade continuarem a trabalhar. E, porquê? Pelo consumo, pois a maior capacidade financeira irá aumentar o poder de compra dos consumidores e a inerente receita fiscal. Pelo aforro, porque auferindo ou não uma reforma, será um rendimento que não iriam obter noutras circunstâncias e que poderá ou deverá ser canalizado para poupança. E, pela redução da pressão financeira nos modelos de segurança social e da saúde já muito fragilizados pelo envelhecimento da população.

Os profissionais experientes são um vasto grupo da população. Não dar-lhes a importância e a relevância que merecem é negligenciar um ativo de pessoas. Nem os Governos, nem as empresas, se podem dar a esse luxo pois seria um desacerto com a realidade passada, atual e futura – seria um desacerto com a humanidade!